Design, novos modelos de negócios e mindset de colaboração são elementos chaves para implementação da economia circular

Foto: Energiplast

Discorrendo sobre o conceito da economia circular, a consultora da Exchange 4 Change Brasil, Beatriz Luz, apontou que é preciso sair da lógica de uma economia linear e para que isso seja possível ela aponta três elementos chaves: entender os novos modelos de negócios, ter um olhar sistêmico voltado ao design e praticar uma mudança de mindset.

Abrindo sua palestra “A economia circular do plástico”, durante a 9ª edição do Energiplast, nesta terça-feira (11), na FIERGS Porto Alegre, ela provoca os participantes com a pergunta: “Será que estamos protegendo o meio ambiente se destruirmos menos? Se fala muito em se produzir mais com menos, mas será que a gente não vai retardar mais ainda essa questão dos recursos?”. Beatriz alegou ainda que a maioria das pessoas atribui o problema dos resíduos como culpa do governo, falta de incentivos, mas esquecem de seu papel como consumidor. “A gente tem a decisão de compra. No Brasil, a taxa de crescimento da população foi 0.9% e a taxa de geração de resíduos foi 2.9%. O tratamento disso não acompanha”, destacou.

O grande desafio é a educação em um mundo que se transforma de forma constante e isso não se restringe ao setor do plástico. “Estamos muito conectados hoje em dia e o consumo nessa realidade no mundo digital não é mais como era. Não estamos falando de uma era de mudança, mas uma mudança de era que muda completamente a realidade de negócios e por isso precisamos nos adaptar e se conscientizar que assim como há novas formas de se relacionar, há também novas formas de produzir e de consumir”, afirmou, atentando que é preciso reavaliar o processo produtivo. Ela esclarece que não podemos entrar na ilusão de que a economia circular resolve o problema, pois ela apenas evita que ele aconteça.

A partir disso, elencando como primeiro elemento chave, a consultora ressalta a importância do olhar sistêmico e do design. “Precisamos compreender a importância de um crescimento desconectado da exploração dos recursos naturais, por isso essa exploração de novos modelos de negócios. É fundamental olhar além da fase de uso e sim no desenvolvimento do produto”, exaltou, sugerindo que para aumentar a taxa de reciclagem é preciso pensar menos em reciclagem e mais em design de produto. “Cerca de 50% das embalagens plásticas que estão no mercado conseguem ser recicladas, 30% simplesmente não dá para reutilizar”, analisou, acrescentando que o problema não é o plástico, mas o resíduo do material.

Outro ponto fundamental é a efetividade e a geração de valor dos novos modelos de negócios. “O Brasil deve investir em projetos inovadores, ter empresas criativas que gerem valor e considerem o consumidor como usuário, pois, nesse sentido, o produto vira serviço”, indicou, levantando que é preciso estimular a construção de uma rede de conhecimento e trocas, além de estimular a mudança. Aí entramos na terceira premissa para o desenvolvimento de uma economia circular: entender o mindset da colaboração. “Não dá mais para fazer sozinho. Somente com um trabalho coletivo vamos conseguir minimizar o problema do lixo. Temos que aprender a trabalhar em colaboração e assimilar que dessa maneira teremos mais vantagens econômicas”, alertou, enaltecendo que só assim será possível fazer com que o consumidor entenda que o problema não está no resíduo e sim em seu descarte.

*Esta matéria é do blog da Energiplast (link ao lado –> em, 11/09/18; https://energiplast.wordpress.com/2018/09/11/design-novos-modelos-de-negocios-e-mindset-de-colaboracao-sao-elementos-chaves-para-implementacao-da-economia-circular/ )

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *